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quinta-feira, 13 de setembro de 2012

E quando o Melhor Amigo morre?


A única certeza que temos na vida é que um dia vamos morrer. Outra certeza é que os cães também morrem, mas têm uma experiência média de vida muito inferior à humana - embora eles sejam muito mais racionais. Qualquer pessoa normal que tenha tido/tenha ou venha a ter um cão sabe que é assim: são inteligentes (quase todos), são espertos, são uma companhia gigante fiéis…mas lá está, têm a experiência média de vida muito inferior à nossa – factor este que nunca nos queremos lembrar até ao dia fatídico.

Se tivesse oportunidade de escolher, para uma outra vida, reencarnar em algo, seria ter  a vida que o meu Tarik teve. Confesso, até tive um ciúme ou outro numa ou outra situação.

Sim, isto sou eu no dia que fiz 16 anos. Não, não fiz 12.
 Levei-o para casa no dia em que fiz 16 anos. Contra a vontade (inicial) dos meus pais. Quis oferecer-me uma prenda e foi o que fiz. Sabia que uma cadela, esperta como nunca tinha visto, estava grávida e disse ao dono que queria um filho da bichana, pois seria com certeza muito inteligente. E a conquista super fácil começou no primeiro dia que lá dormiu: faço anos em Janeiro e o suposto dormitório do novo inquilino, rapidamente passou para o interior de casa. Aquele ganir de frio era impossível de ignorar.

A partir daí foi sempre a ganhar terreno, além de inteligente era lindão, e toda a gente sabe que são duas características difíceis de encontrar numa pessoa, mas o Tarik era essa pessoa.

Passeava dias inteiros sem uma coleira ou trela e quando voltava não tinha de dar justificações; nos Verões chegou a desaparecer durante algum tempo seguido em busca das cadelas veraneantes, que tal como acontece às bifas em Albufeira, vinham com o cio (incluindo uma que engravidou dele e deixou uma sucessão de Tarikinhos); a minha mãe arranjava-lhe a comida toda: desfiava frango, arranjava os lombinhos do peixe, só lhe dava fiambre de peru no forno (como eu), e tinha mimos, mimos, mimos. É verdade, numa casa onde nunca se mostraram muitos afectos, veio um cão e começou-se a ouvir falar diariamente “à bébé”. Sim, aqui também tinha ciúmes.

(Tinha material suficiente para escrever um livro equivalente ao “Marley e eu”, mas isto é um blog)

Há cerca de um mês que ele começou a dar sinais cada vez menos discretos que os 16 anos estavam a chegar e eu sugeri logo aos meus pais que o “puséssemos a dormir, porque ele já estaria em sofrimento”. Mas é sempre complicado passar do pensamento egoísta em que queremos o máximo possível a companhia do bicho, e o pensamento em que realmente temos noção que o bicho está em sofrimento. Ora bem, o canito como é de porte intermédio começou com problemas nas ancas e agora já se arrastava; teve logo nos seus primeiros anos, epilepsia que felizmente foi bem tratada, tinha um tumor num colhanito… Foram muitas as coisas que podia ter derrubado o meu Tarik, mas foi mesmo a velhice que conseguiu deita-lo completamente a baixo e leva-lo para longe de nós.

“Hoje o Tarik desistiu de viver”, disse-me a minha mãe a chorar baba e ranho ao telefone. “Então?”- disse eu. “Já nem o fiambre preferido comeu, nem se mexe para nada! Tem o olhar no vazio”. E tinha. E ontem a decisão foi levada avante e eu fiz 5.30 de viagem para estar com ele 20 minutos e me despedir . Como ele viu que não conseguíamos tomar a decisão, tomou ele! Eu sempre disse que ele era o mais esperto J

Meu Xuxajão Tarikão, foste das únicas escolhas acertadas que fiz na vida: no meio daquela cãozoada foi a ti que escolhi e não podia ter feito melhor. Obrigado por me teres mostrado que afinal há sentimentos lá em casa, que pessoas são capazes de exteriorizar sentimentos apenas por tua causa, que deixam de ir de férias porque não te conseguiam deixar sozinho. Obrigado também por seres a única pessoa a conseguir com que todos em casa esboçassem um sorriso “só” por abanares essa cauda mega farfalhuda. Obrigado por não deixares os amigos do meu irmão dormirem ou sequer se mexerem quando dormiam no sofá ao lado do teu (deu para rir bastante e durante muito tempo). E tantas outras situações…

Obrigado!! Mas meu sacana..não vai ser fácil para nós ficar sem ti. Nada fácil :’(


E quando o Melhor Amigo morre?


A única certeza que temos na vida é que um dia vamos morrer. Outra certeza é que os cães também morrem, mas têm uma experiência média de vida muito inferior à humana - embora eles sejam muito mais racionais. Qualquer pessoa normal que tenha tido/tenha ou venha a ter um cão sabe que é assim: são inteligentes (quase todos), são espertos, são uma companhia gigante fiéis…mas lá está, têm a experiência média de vida muito inferior à nossa – factor este que nunca nos queremos lembrar até ao dia fatídico.

Se tivesse oportunidade de escolher, para uma outra vida, reencarnar em algo, seria ter  a vida que o meu Tarik teve. Confesso, até tive um ciúme ou outro numa ou outra situação.

Sim, isto sou eu no dia que fiz 16 anos. Não, não fiz 12.
 Levei-o para casa no dia em que fiz 16 anos. Contra a vontade (inicial) dos meus pais. Quis oferecer-me uma prenda e foi o que fiz. Sabia que uma cadela, esperta como nunca tinha visto, estava grávida e disse ao dono que queria um filho da bichana, pois seria com certeza muito inteligente. E a conquista super fácil começou no primeiro dia que lá dormiu: faço anos em Janeiro e o suposto dormitório do novo inquilino, rapidamente passou para o interior de casa. Aquele ganir de frio era impossível de ignorar.

A partir daí foi sempre a ganhar terreno, além de inteligente era lindão, e toda a gente sabe que são duas características difíceis de encontrar numa pessoa, mas o Tarik era essa pessoa.

Passeava dias inteiros sem uma coleira ou trela e quando voltava não tinha de dar justificações; nos Verões chegou a desaparecer durante algum tempo seguido em busca das cadelas veraneantes, que tal como acontece às bifas em Albufeira, vinham com o cio (incluindo uma que engravidou dele e deixou uma sucessão de Tarikinhos); a minha mãe arranjava-lhe a comida toda: desfiava frango, arranjava os lombinhos do peixe, só lhe dava fiambre de peru no forno (como eu), e tinha mimos, mimos, mimos. É verdade, numa casa onde nunca se mostraram muitos afectos, veio um cão e começou-se a ouvir falar diariamente “à bébé”. Sim, aqui também tinha ciúmes.

(Tinha material suficiente para escrever um livro equivalente ao “Marley e eu”, mas isto é um blog)

Há cerca de um mês que ele começou a dar sinais cada vez menos discretos que os 16 anos estavam a chegar e eu sugeri logo aos meus pais que o “puséssemos a dormir, porque ele já estaria em sofrimento”. Mas é sempre complicado passar do pensamento egoísta em que queremos o máximo possível a companhia do bicho, e o pensamento em que realmente temos noção que o bicho está em sofrimento. Ora bem, o canito como é de porte intermédio começou com problemas nas ancas e agora já se arrastava; teve logo nos seus primeiros anos, epilepsia que felizmente foi bem tratada, tinha um tumor num colhanito… Foram muitas as coisas que podia ter derrubado o meu Tarik, mas foi mesmo a velhice que conseguiu deita-lo completamente a baixo e leva-lo para longe de nós.

“Hoje o Tarik desistiu de viver”, disse-me a minha mãe a chorar baba e ranho ao telefone. “Então?”- disse eu. “Já nem o fiambre preferido comeu, nem se mexe para nada! Tem o olhar no vazio”. E tinha. E ontem a decisão foi levada avante e eu fiz 5.30 de viagem para estar com ele 20 minutos e me despedir . Como ele viu que não conseguíamos tomar a decisão, tomou ele! Eu sempre disse que ele era o mais esperto J

Meu Xuxajão Tarikão, foste das únicas escolhas acertadas que fiz na vida: no meio daquela cãozoada foi a ti que escolhi e não podia ter feito melhor. Obrigado por me teres mostrado que afinal há sentimentos lá em casa, que pessoas são capazes de exteriorizar sentimentos apenas por tua causa, que deixam de ir de férias porque não te conseguiam deixar sozinho. Obrigado também por seres a única pessoa a conseguir com que todos em casa esboçassem um sorriso “só” por abanares essa cauda mega farfalhuda. Obrigado por não deixares os amigos do meu irmão dormirem ou sequer se mexerem quando dormiam no sofá ao lado do teu (deu para rir bastante e durante muito tempo). E tantas outras situações…

Obrigado!! Mas meu sacana..não vai ser fácil para nós ficar sem ti. Nada fácil :’(