terça-feira, 25 de dezembro de 2012

O Ano em Blog _ Parte I

Este blog não é um diário. Costumo fazer alguns desabafos, mas não está nem perto de descrever 1/3 da minha vida. Transmito aqui apenas o que quero que se saiba. Logo, comentários como "estás a expôr muito em relação a determinado assunto". Sim, estaria, se não fossem 5 pessoas a saber ao que me estava a referir.

Mas é um facto, tornei isto muito pessoal este ano. Não era suposto, mas foi mais forte do que eu. Fiz muitos "posts sérios da semana", rúbrica que nem sempre se justificou- excepto no agradecimento aos meus pais. Aparentemente, senti necessidade de tornar isto algo sério para não enjoar de coisas aparvatadas. pronto, deu-me para ali, não os vou apagar, sempre fica registado.

Vou tentar ser blogger-parvalhão-em-full-time. Armar-me em esperto e opinar sobre tudo, porque tenho a mania que sei e que posso. E vou arrumar de vez com assuntos pessoais. Que vai começar depois da publicação deste.

Não foi um ano fácil. Desde 1981, penso que foi o pior de sempre. Penso isto todos os anos, mas o certo é que os anos seguintes conseguem ser piores. E eu - sem perceber bem porquê- estou relativamente são.

Ora este ano começou com a minha mudança para a terra-natal, porque numa das minhas grandes diarreias cerebrais, desisti da minha área de formação (ideia que ainda mantenho) e deixei a casa em Lisboa e rumei a casa. Pareceu-me acertado, uma vez que poderia "arranjar emprego, ganhar algum e poupar porque estaria em casa dos meus pais e teria alguma qualidade de vida". Burro de merda, pois claro. Eu a pensar que algum dia os ambientes familiares iriam mudar e que poderia haver relações normais. Burro, burro, burro d'um cabrão. Pode ser que um dia aprenda. nem emprego, nem vontade de fazer o que podia, nem nada. uma merda completa. Uma merda daquelas que pintam uma sanita à pistola. E quiçá, todo um w.c.

Fiquei desempregado até Outubro, mas até chegar o dia em que comecei o meu trabalho como reforço de Natal numa caixa perto de si, passaram-se milhentas situações complicadas. Estava apaixonado, claro! Só o amor é que podia fazer merdas destas- e eu só descobri isso este ano. Estive apaixonado por quem pensei ser o amor da minha vida (e ainda penso), mas deixei de ser correspondido. Sensação que também não conhecia, ser correspondido. E perdi o amor da minha vida este ano - duas vezes. DUAS VEZES, vêm como é possível ser burro e cada vez mais burro? Sou como toda a gente, espectacular a dar conselhos, péssimo a segui-los.

(para vocês, pessoas que estão desejando de saber sobre a minha vida amorosa, podem agora especular quem seria a pessoa, hein? já têm com que se entreter, quem é amigo, quem é?)

Mas mais grave, foi mesmo a morte do meu canito mais lindo do mundo. O meu companheiro desde os meus 16 anos, foi-se. Foi descansar. Foi-se livrar das dores físicas que já tinha nos últimos dias e deixou-nos. Deixou-nos as melhores recordações do mundo que os donos podem ter. Até porque tinha a personalidade das várias pessoas aqui de casa, conforme a situação. Sempre selectivo no que lhe convinha ouvir. Não sei a quem saiu...

Houve também facadas no peito por parte de amigos- não foi nas costas porque me disseram na cara- coisas que me foram ditas na cara,  por quem sempre tive o maior respeito do mundo e apoiei toda uma vida. Coisas injustas que vou esperar que um dia se arrependam, porque de facto, é surreal. Tão surreal que eu nem cheguei a ler tudo o que me escreveram, porque com certeza eu iria fazer merda e nunca mais falaríamos na vida. E houve ainda, conhecidos - que nunca vão passar disso- que podiam ter tido uma vida e deixado de se meter tantoooooo na dos outros.

Um ano de indecisões: de não saber para onde me virar, de não saber para quem me virar, o que fazer, não conseguir tomar decisões, de me tornar num tipo de pessoa que não sou, de pôr em causa tudo e mais alguma coisa. E lidar com tudo o que estas situações implicam. tudo o que estar desempregado implica, tudo  o que está ligado a perder o amor da vida, perder o cão da minha vida.

Perder, perder, perder.

Mas lá está, do fundo não se passa, e a partir de agora só posso subir. E quero muito. E vou sair da minha zona de conforto. É uma promessa.

Obs: porra, afinal vou ter de dividir isto das coisas sérias em pelo menos mais dois posts até ao fim do ano


Pink? A sério? Eu publiquei Pink. Eu avisei que estava numa fase complicada. Mas que vai mudar e a partir de agora só publico Lady Gaga. Muahhahah.

22 comentários:

  1. Desde que comecei a ler o teu blogue, que me revejo em muito daquilo que escreves ou nas situações que narras, tirando o emprego claro (continuo a trabalhar e ainda bem) e os amigos, porque aprendi há muito tempo que amigos são aqueles que posso contar pelos dedos de uma mão, tirando isso, tb tem sido um ano de perdas, uma merda de ano de indecisões e devido a essas indecisões e inseguranças também perdi, perdi e não sei se vou conseguir recuperar um amor, não sei é se é o amor da minha vida. É que preciso sempre de algum tempo, mas quase sempre o tempo de uns não é igual ao dos outros e como o passado é fodido e nos faz quem somos hoje, realmente precisava de tempo e , como dizem no Brasil, “ a fila andou”, mas eu, Nunes, eu continuo a lutar e não quero acreditar nem vou acreditar que perdi, ou que acabou, pelo menos não para já. Mas falando em perdas… há muito tempo que perco, perdi um amigo, mas esse foi para sempre e acredita que luto todos os dias para ultrapassar isso! E é duro quando sabemos que é para sempre! E no Natal é bem mais difícil… Já não se comemora o Natal como há um ano e meio atrás…
    Como vês, o teu blogue é importante e aquilo que escreves também, aliás já to disse e penso que escreves mto bem! Escreves com honestidade e nos dias que correm, isso é já muito raro! Escreves com sinceridade! E acima de tudo, escreves a tua verdade e essa nunca ninguém ta pode tirar.
    Se for possível, tem um resto de bom Natal! E continua a escrever!

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    1. Obrigado :) Ninguém merece identificar-se com as coisas que escrevo, não desejo tal coisa a ninguém! Desejo, mas isso agora não interessa nada :) Sim, eu reparei que a honestidade é escassa, e infelizmente cada vez mais tenho a certeza disso. É uma seca. Parece tão simples, mas a maioria não usa...é como o senso comum..! bah! Olha, só nos resta pensar que é uma fase :S

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  2. Posso juntar-me ao clube daqueles para quem o ano de 2012 foi uma merda?

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  3. Posso juntar-me ao clube daqueles para quem o 2012 foi uma merda?

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  4. Caríssimo Nunes,
    pensei escrever um texto como o teu, ou pior, praticamente a insultar 2012 porque o senti muito mau, mas depois pensei, é pá, estou a ser uma injusta do caraças e agora o post que ainda estou a produzir (e acho que estarei vários dias seguidos a acrescentar uma coisa ou outra!) vai na onda justamente oposta - vou escrever sobre o que de bom tive. Ou então já dava por mim a pensar exactamente o mesmo - ai que agora vai ser sempre a piorar! Na mesma linha de fazer a diferença para 2013 ao contrário de ter uma lista de resoluções tenho apenas uma tarefinha que quero cumprir rigorosamente e que é ridiculamente simples. Claro que há uma data de coisas que quero atingir, mas não serão resoluções.

    De resto, acho que um blog deve ser aquilo que a cada momento precisamos que seja. Claro que escrevemos para os outros, mas de uma forma que nos satisfaça a nós - já escrevi menos, agora escrevo mais; há dias que acho que tenho mais piada enquanto noutros acho que roço ali numa lamechas-deprimente. Mas é o que me apetece de cada vez que ponho os olhos no monitor e estico os dedos pelo teclado. E acho que é mesmo isso que sobretudo deve ser um blog: o que nos apetece.

    Desculpa o comentário tão longo, mas, sabes como é, altura de balanços o pessoal estica-se.

    P.s. - "de me tornar num tipo de pessoa que não sou", acho que só diz isto quem sabe minimamente quem é e isto é um bom começo; e no toca à perda amorosa, deixa-me dizer-te que se perdeste foi o amor da tua vida até agora e não da tua vida toda, a não ser que na realidade tenhas 80 anos e publiques aqui regularmente fotos do teu neto. E não penses que digo isto levianamente porque em 2012 terminei uma relação de 7 anos :)

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    1. Mary, obrigado pelo teu comentário, que não foi longo, foi bem respondido! :) Sabes, este estava aqui para ser escrito há muito e pus no título Parte I, porque os outros dois vão ser a melhorar, quero finalizar com o que de bom aconteceu! Longe de mim armar-me em vítima, não suporto.
      (isto porque qd publiquei o post no fb, escrevi: antepenultimo post sentimentaloide de 2012, a dar a entender q vinham aí mais dois).
      Uma relação de 7 anos? Bolas...Acho que descobri q sou um romantico e achei que era para sempre, aborrece-me pensar que tenho de criar tudo de novo :S

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    2. Em primeiro lugar devo dizer que não te julguei vítima e, em segundo, dizer que adorei a parte final da tua resposta, de tão genuína, porque eu já senti exactamente o mesmo e tenho que lançar bitaite de novo. Porque quer dizer por muito que o início de uma relação seja espectacular e só adrenalina há coisas que só se ganham com anos de experiência e de convivência e que sim, dão muito trabalho. É como tu dizes, caramba, fazer tudo de novo? A sério?! Não. Não tens de criar nada de novo ;)

      Tive que copiar parte de um post meu deste ano:

      "(...) Às vezes dou por mim a querer amor ao estilo fast food: um amor já feito, sem decisões, sem discussões, sem complicações, sem obstáculos. Um amor que me dissesse num inglês trágico e fatalista, there you have it. Como quem diz, o que sempre sonhaste é possível. Ou, there you have it, é possível ultrapassar o que já tiveste! Quase como se só o que for melhor, assim logo à partida, valesse a pena e fosse a confirmação de que o amor existe. E o pior é que avalio este melhor nos termos de uma matemática ilógica que nunca há-de dar conta certa: quase como se achasse que serão precisos os 7 anos que já tive para chegar onde estava. É preciso tempo para deixar de encarar o amor como uma competição. É preciso tempo para deixar de querer prestar contas com o passado e enfrentar um amor a limpo, como deve ser.

      E isto tudo lembra-me que é preciso também um bocadinho de coragem para amar depois do amor. Para achar que aquele que considerávamos o amor de uma vida era só um amor na vida. É preciso coragem para assumir que mesmo que a morte faça eventualmente parte do trajecto de um caminho que se via eterno, continua a valer a pena enfrentar o risco de morrer todos os dias, de perder parte de nós no outro, de dar corpo e alma e sabe-se lá mais o quê, mesmo que um dia esse corpo e alma fiquem desalojados. Afinal, não é por saber que um dia também eu irei acabar, que não me apetece viver. É preciso coragem para dizer ao coração que ele não falhou e que não foi abandonado... É preciso coragem para dizer ao coração que não faz mal tentar mais que uma vez e que não, para saber que está certo, também não tem de vir tudo de uma vez."

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    3. Mary, Mary..muito bom o texto e tens toda a razão do mundooooo :) Mas ainda não estou na fase em q encaixe alguma coisa para partir para outra ...
      Mas em janeiro eu mudo, jurooooo!!! E curo meeeeee!!! ;)

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  5. Tb estava a pensar escrever algo sobre 2012... As coisas boas e más. Mas francamente só me vêm as más! Logo se vê o que irá sair...
    Espero que o teu 2012 seja MUITO melhor que este ano que está quase quase a terminar. :)

    ***

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    1. Há de ser melhooor! para todos nós!!! :))

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  6. Eu gosto de "te" ler. Juntei-me porque tinhas piada, é verdade que ficaste mais sério, mas também não desgostei.
    Sou mais uma do club "2012 de merda", não me sinto orgulhosa disso, mas é a vidinha.
    Espero que continues por aí, que não sejas tão burro e que dês rumo a essa vida de indecisões :)

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    1. Quero muito deixar de ser burro, mas como é de nascença...já não sei! :P
      tás a ver? eu sabia que estava mais sério, mas vou ter isso em conta e voltar ao registo verdadeiro, bem como deixar de ser um indeciso, ganhar tomates e fazer-me à vida :)

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  7. Ganda Nunes, grande post!

    E mais um pró clube dos que odiou 2012. Mas que me lembre 2011 não foi tão espetacular assim, nem 2010... Já 2009, 2008, etc, deixam saudades. De alguns amigos, de alguns amores, de algum irresponsabilidade que sabia tão bem... E eu que pensava que ser grande era uma cena muita fixe! Fdx!

    Como disse o Anónimo, de emprego/trabalho tb. não me queixo (da parte "Salário"; da parte "Curto bué o que faço", está mais escasso), mas de resto, identifico-me totalmente com o que escreveste: das facadas, às desilusões, do "arrependimento" de voltar à terra natal!.. Enfim, que 2013 traga aquilo que parece mais difícil: realização pessoal! Com isso, vamos conseguir ultrapassar as cenas mais fodidas como certos défices de amizade e relações amorosas tórridas eheh!

    Um abraço e que as entradas sejam melhores que as saídas!

    P.S. 1: Se perdeste esse tal amor, e ainda por cima duas vezes, esquece, não era mesmo o amor da tua vida. Siga!!
    P.S. 2: Isso tb. já me aconteceu :/ SIGA!!!!

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  8. Oh Pedro, que nos disse que ser adulto era bom, estava com certeza muito mocado. LOL. quem me dera ser adolescente (na parte que nem trabalhava)! belos tempos :)
    Olha, Pedro...eu desejo o mesmo para ti...a ver se esta merda se encaminha, que já não se aguenta!

    PS: também já pensei que talvez não fosse, mas só vou saber depois. por enquanto ainda acho que é. mas vou beber e ver se passa, ahahahha

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  9. Bonito texto.

    E fiquei curiosa de saber quem é essa menina que te fez sofrer assim?

    Bjs

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  10. Amigo como te compreendo. As tuas porradas no chão são iguais ás minhas: desde o trabalho à família e ao perder o Amor da minha vida também 2 vezes, e tudo com Lisboa com pano de fundo. Sabes que mais? Que se foda. Nós já fizemos tudo o que tá ao nosso alcance.Se a famelga, as gajas e o resto só nos fazem perder perder,então que seja assim. Tens razão quando dizes que do fundo só para cima. E ainda mais te dou razão que quanto mais vejo das pessoas ainda gosto mais dos animais. Que se fodam. Já há muito que não deixo cabrões/vaquinhas de merda pisarem-me. Que se fodam todos!

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    1. Vivó clube da dor de corno!

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    2. LOLOLOLOL! Viva!! Mas não há cá mais festejos!!! Já está a curar ;)

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    3. Oddly but yes! Let the healing begin!

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  11. Vá, pelos vistos a saúde ficou intacta! Assim sendo, bola para a frente que atrás vem gente!!! :)

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